História da Escalada em Petrópolis (14/14)

A via Revolta dos Morcegos (A2, 1994), embora ainda não se tratasse de uma Big Wall, como nos exemplos acima, foi a primeira rota conquistada na cidade, dentro deste estilo – totalmente em artificial, utilizando proteções móveis, cliffs e também alguns poucos parafusos. Rogério Matos foi o precursor deste estilo que ingressava na cidade, trazido a partir de um curso avançado de escalada, realizado com Alexandre Portela, no Rio. Mas, certamente, foi com a conquista da via Gritos de Pavor (6º VIsup A2) que o novo estilo que surgia começou a influenciar uma geração de escaladores, composta por Ildinei de Oliveira, Leandro Siqueira, Luciano Bender e Marcel Leoni, justamente a mesma geração de 1993.

Neste meio tempo, diversas vias continuavam a serem conquistadas na Pedra do Pastor e na Pedra Roxa, entre outros locais. A escalada esportiva crescia com força na cidade e surgia um sem número de novas vias na Cabeça de Cachorro e na Pedra Comprida.

Em 1998, com a conquista de No Fio da Loucura [D6 5º A3 (A1/VIIa)], por Jeferson Costa, Luciano Bender e Reinaldo Rabelais, surgia a primeira Big Wall na cidade e que, apesar de possuir apenas 350 m, exige no mínimo 3 dias para ser realizada. A partir de então, diversas outras rotas passaram a ser conquistadas, utilizando o estilo artificial limpo nos grandes paredões de Petrópolis e, quando necessário, exigindo até pernoites em suas paredes.

No ano de 2000, Ildinei de Oliveira e Leandro Siqueira conquistam a via Domínio das Sombras (D6 5º A3) que, com seus 830 m, já era considerada a maior Big Wall do Brasil, localizada na Face Sul da Maria Comprida. E, no ano de 2002, Alex Ribeiro “Chê”, Jorge Fernandes, Pedro Miranda e Rafael Wojcik conquistam a via Maria Nebulosa (3º V) – hoje a segunda mais extensa parede do país – que vencia a face nordeste do Pico da Maria Comprida, com seus 1.040 m de extensão, apesar de se tratar de um grande costão de rocha, ser uma via tecnicamente fácil e não se tratar de uma Big Wall por não exigir pernoites na parede.

Vias engajadas continuaram a serem conquistadas no novo milênio, como a Faces do Horror (D5 5º A2+), em 2002, na Cabeça de Negro, por Luciano Bender e Marcel Leoni; e O Galo Cantou [7º VIIc A2 (A1/VIIIa)], em 2003, no Cantagalo, por Leandro Siqueira, Marcel Leoni e Sérgio Tartari.

Por fim, até os dias atuais, diversas novas vias, tanto no estilo tradicional, quanto no de Big Walls e na escalada esportiva, ainda vêm sendo abertas, incessantemente, revelando que o potencial da região ainda não foi esgotado, com várias paredes virgens a serem exploradas. E estes foram os fatos mais marcantes desde quando a primeira parede de rocha em Petrópolis foi escalada, até os dias atuais, onde as atividades do montanhismo, em geral; e da escalada em rocha, em particular, sempre giraram em torno do CEP.

O Centro Excursionista Petropolitano tem desenvolvido intensas atividades nos últimos anos, firmando-se como uma das mais dinâmicas associações de montanhismo do País. Seus guias e demais escaladores têm marcado presença até mesmo no cenário internacional, dentro das variadas modalidades do esporte, desde as competitivas à ascensão em grandes paredes e na alta montanha.

Ainda, o clube não se limita à prática do montanhismo. O CEP tem participado, com regularidade, de atividades voltadas para a conservação da natureza. Um nome a ser lembrado é o de Mario Penna da Rocha (in memoriam), sendo um dos que mais se dedicaram à causa ambientalista em seu tempo. Outros nomes destacados neste campo são Jesus Carlos Coutinho Bárcia (botânico, atuou como consultor do antigo IBDF – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal) e, mais recentemente, André Ilha, um dos grandes ativistas em prol desta causa até hoje, cabendo destacar a sua atuação como fundador do GAE – Grupo Ação Ecológica e como presidente do IEF/RJ – Fundação Instituto Estadual de Florestas – por dois mandatos, sendo que no segundo deles foi o responsável pela criação do Parque Estadual Três Picos, na Região Serrana do Estado). Merecem menção Paulo Victor Penna da Rocha, Reinhold Godofredo Haack (que atuou como conselheiro do Ibama e teve papel importante na demarcação de áreas em Petrópolis para serem integradas ao Parque Nacional da Serra dos Órgãos) e Carlos Alexandre Soares da Silva (ex-presidente do Propar – extinto Movimento Pró-Parque Nacional da Serra dos Órgãos).

A influência do CEP e de seus antecessores foi fundamental para o desenvolvimento da escalada em Petrópolis. A maioria dos escaladores que existiu e ainda existe na cidade teve sua origem no CEP, que muito incentivou a conquista de novas paredes e a evolução do esporte. Como centro de informações e ponto de encontro deste segmento da sociedade, o CEP há décadas é a referência mais representativa do meio em Petrópolis. No entanto, a partir do início dos anos 90, década na qual o número de praticantes do esporte cresceu vertiginosamente, Petrópolis passou a contar com um grande número de escaladores que não necessariamente chegaram a passar pelo Centro Excursionista Petropolitano. Ainda assim, o CEP continua sendo a principal referência das atividades de escalada na cidade.

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Livre narração dos autores a partir de textos e entrevistas feitas com André Ilha, Antonio Carlos Magalhães “Tonico”, Fábio Macedo, Fábio Muniz, Francisco “Chico” Balter, Jeferson Costa, Luciano Bender, Luiz Cláudio Jatobá, Marcel Leoni, Manoel Lordeiro, Paulo Lucio da Cruz Loureiro, Paulo Lucio Tesch Loureiro e Renato Walter Mattos.

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