História da Escalada em Petrópolis (13/14)

No início dos anos 90, existiam poucos campos-escolas para os principiantes do esporte em Petrópolis. Havia o Morro da Formiga, com sua grande diversidade de vias, de todos os graus; a Pedra do Quitandinha, com os paredões Excalibur (3º IV) e Dança do Sol (2º IIsup); o Morro do Samambaia, com o Paredão Ana Paula (1º II); o Morro da Reunião, com os paredões Alcides Costa e Ana Cristina; o Monte Florido, com suas três vias de escalada graduadas entre II e III grau e, por fim, a Pedra do Pastor, na época com apenas duas vias de baixa graduação: os paredões Cão Pastor (3º IV) e Quarup (2º III). Estes eram os principais pontos para novos adeptos se iniciarem na prática da escalada.

Nesta época, os grandes mitos da escalada tradicional ainda eram vias como a Face Norte do Mãe D’Água [(5º Vsup (A0(1)/VIIb)], os paredões Universos Paralelos (7º VIIa), Asterix (5º VIIb), Juliano Magalhães (6º VIsup) e Minotauro (5º VIsup).

Em 1993, mais uma seqüência de três cursos básicos no CEP formaria uma nova geração de escaladores, que perdura até hoje. Leandro Siqueira, Luciano Bender e Marcel Leoni, juntamente com Ildinei de Oliveira, que se associou ao CEP e começou a escalar no ano anterior; e Fábio Alves, Jamerson Souza, Paulo Azevedo e Rogério Matos, que começaram no esporte logo no início dos anos 90, segurariam o nível da escalada tradicional em Petrópolis até os dias atuais.

Na primeira metade dos anos 90, o nível da escalada no CEP estava tão alto que as pessoas que entravam no Clube não tinham opção de escaladas fáceis, e era visível uma falta de parceiros disponíveis a ensinar aos novatos. Este fator fez com que a última geração de escaladores do CEP fosse a de 1993, deixando de haver uma renovação representativa no número e nível de escaladores na cidade. É claro que vários outros escaladores surgiram depois, em Petrópolis, como o próprio Fernando Aires “Nando”. Mas isto vem se mostrando de forma isolada e esparsa até hoje.

Durante toda a década de 90, os vários anos de conquista do Paredão Dimensões Alheias (7º VIIc A1) também marcaram época na cidade. Com segurança, pode-se dizer que o Dimensões é, até hoje, uma das vias mais técnicas de Petrópolis, na sua modalidade de escalada tradicional e em paredes com extensão mediana, por apresentar várias seqüências de lances extremos em “agarrência” e sem descanso. Entre os diversos escaladores que participaram desta conquista, destacam-se Alexandre Galvão, Francisco Balter, Jeferson Costa, Leandro Borré, Luciano Bender e Paulo “Mariola”, sendo que a via só veio a ser concluída em 1999.

A partir de 1993, quando Jeferson Costa, Renato Walter Mattos e Paulo “Mariola” conquistaram, na Pedra Roxa, o Paredão Vaca Preta, foi iniciada uma verdadeira “corrida do ouro” para se explorar ao máximo o novo point de escaladas que surgia em Petrópolis. Embora esta montanha já possuísse algumas vias conquistadas no anos 80, principalmente nas fendas do “lagarto” com a utilização de equipamento móvel, esta nova fase de conquistas que surgia na Pedra Roxa veio a suprir a carência, observada no início da década, de novos centros de escalada com vias de graduação baixa a média (até o VI grau). A primeira via conquistada inteiramente com proteção fixa nesta montanha foi o Paredão Vaca Preta, mas foi com a conquista do Paredão Boi Reto, caracterizado por possuir agarras enormes, graduação média de III, em trechos com inclinação de 90º, e um padrão superprotegido de grampeação, que a Pedra Roxa ganhou projeção no cenário da escalada em Petrópolis. Logo depois foram surgindo outras vias, como o Bezerro Desmamado, a Vaca da Sua Mãe, o Touro Louro, Boi que Nada, dentre várias outras ainda não concluídas, e até os dias de hoje o local ainda está sendo bastante explorado.

Esta geração de 93 que surgia no CEP foi a responsável por desenvolver, em Petrópolis, um novo estilo de escalada, dentro da modalidade artificial – o “artificial limpo” em grandes paredes. A utilização máxima de recursos naturais disponíveis passou a ser praticada para o desenvolvimento de uma técnica de escalada baseada no uso extremo das aplicações do equipamento de escalada, a exemplo do que já era feito há muitos anos em outros países, principalmente nos Estados Unidos. No Brasil, havia pouquíssimas vias conquistadas neste estilo, como a Tragados pelo Tempo, no Corcovado; a Terra de Gigantes, na Pedra do Sino; a Almas Defumadas, no Garrafão e a Contra-pinos, no Pão de Açúcar.

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