História da Escalada em Petrópolis (12/14)

Anos 90 aos dias atuais – a “explosão” do número de adeptos, o desenvolvimento da escalada esportiva e o surgimento das big walls

 No início dos anos 90, houve uma verdadeira “explosão” da escalada na cidade, ao contrário da década de 80, quando se sofria com a dificuldade de importar equipamentos. O aumento do intercâmbio com outros centros de escalada e a facilidade em adquirir material de escalada, aliados ao trabalho iniciado pelos escaladores que fizeram história nos anos 80, foram os principais responsáveis pelo desenvolvimento da escalada nesta década.

Sendo ainda bastante forte a influência de escaladores tradicionais de alto nível dos anos 80, como André Ilha e Antonio Carlos Magalhães, surgiram, no final da década de 80 e início dos anos 90, vias que hoje são chamadas de “escalada esportiva tradicional”. A conquista da via O Brilho da Malacacheta (VIIIb, 1990), nos blocos do Morro da Formiga, confirmava a tendência de conquistas dentro da modalidade de escalada esportiva que havia surgido na cidade quando da ascensão da Fissura Puma (VIIa, 1987).

A Malacacheta foi, pode-se dizer, o estopim de todas as conquistas de alto nível na escalada esportiva que surgiram tanto no Morro da Formiga, quanto na Pedra Comprida e na Cabeça de Cachorro – estes dois últimos considerados os maiores points deste tipo de escalada em Petrópolis. Nesta fase, Eric Nyssens e Márcio Köptcke “Buzina” eram os grandes fomentadores deste tipo de escalada. Seus sucessores foram Alexandre Galvão e Fábio Muniz.

Uma outra via que representou um marco na escalada esportiva na cidade foi a Laranja Mecânica (IXa, 1990), localizada no maior bloco do Morro da Formiga e conquistada logo depois da Malacacheta, também por Eric Nyssens. De estilo oposto, essa via exigia mais continuidade, técnica e força de dedos no crux, e mesmo um certo controle psicológico – a primeira sensação de escalada esportiva nas alturas.

A Pedra Comprida foi outro local que marcou alguns anos de conquistas e, digamos, “sonhos”. O que era visto nas revistas européias de escalada era o que estava bem ali diante dos olhos de todos. A extensa montanha que beira grande parte do trecho inicial da tão conhecida trilha que leva ao cume do Morro Açu, no Vale do Bonfim, começou a ter suas paredes efetivamente exploradas em 1992. A Pedra Comprida é uma placa de granito vertical com cerca de 120 m de altura e alguns quilômetros de largura, sendo que, em um trecho de cerca de 300 m de extensão, estão espalhadas mais de 20 vias de escalada esportiva. Destacamos, entre elas, Reluzências do Ser (VIIIb – 1992), Black Bird (VIIIa ), Testosterona (VIIIa) e Gargalhadas e Lágrimas (Xa). Esse, sem dúvida, é o melhor local para se escalar vias esportivas em Petrópolis até hoje.

Logo depois, em 1993, começou a ser explorada uma das paredes mais bonitas de Petrópolis: a Cabeça de Ca-chorro. Um estilo totalmente diferente e uma parede bastante negativa – aprendizado de movimentação, pegas em agarras grandes, abauladas, invertidas, regletes, simplesmente tudo o que um escalador moderno deseja ter. Destacam-se América Tropical (VIIIc/IXa ) – a primeira manifestação de escalada esportiva naquela montanha; Em Busca do Tridedo Perdido (IXb) que, mesmo pequena, é respeitosa e exótica em movimentação; e Salada Mista (Xb) – via que será provavelmente a mais difícil do Brasil (no seu estilo) tanto física quanto psicologicamente, ainda a ter seus esticões encadeados. Do platô central da parede da Cabeça de Cachorro (comum a várias vias), a Salada Mista conta com esticões graduados, respectivamente, em VIIc, Xa, Xa e Xb, chegando ao cume.

Na escalada esportiva, vale destacar outros nomes também, como Marcos Vinícius “Marquinhos”, Gláucio Tavares, os irmãos Prudente e Alexandre (“Xacundum”) Aguiar, Daniel Rabelais e, por fim, Fernando Aires “Nando”, conquistador das primeiras vias acima do X grau de dificuldade na cidade e que, assim como Alexandre Galvão, Fábio Muniz e Eric Nyssens, sem dúvida, é um dos praticantes da escalada esportiva de mais elevado nível que Petrópolis já teve.

Já na escalada tradicional, foram também conquistadas diversas vias nos anos 90, em Petrópolis. Mas, certamente, foram as grandes paredes e as escaladas no estilo artificial “limpo” que marcaram e têm marcado forte presença até hoje, juntamente com as escaladas esportivas.

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