Merece destaque o trabalho realizado por Francisco Balter que, em 1988, a partir da observação em catálogos de produtos importados, iniciou a produção de material móvel, principalmente de friends, o que fez com que tivesse seu nome citado em algumas revistas nacionais. Até então, os friends também eram artigo de luxo e, deste modo, Balter conseguiu viabilizar o acesso a este tipo de equipamento, a custos bem reduzidos.
Embora Chico Balter não tenha ganhado tanta projeção como escalador, o mesmo não se pode dizer quanto ao seu papel de fabricante de equipamento de escalada e, particularmente, de grampos. Já em 1991, Chico Balter firmava-se como o maior fabricante nacional de grampos de escalada, na época distribuídos pela extinta loja “Sherpa”. Atualmente, desenvolve e fabrica desde grampos, batedores (punhos), espiriteiras, cliffhangers a friends e nuts. Os “grampos do Chiquinho” estão hoje presentes na maior parte das escaladas de todo o Estado do Rio de Janeiro. Em relação aos mosquetões, Chico produziu apenas a mencionada leva de cerca de 300 mosquetões, que foram vendidos para o CEP e para praticantes de vôo-livre. Quanto aos grampos, Chico Balter iniciou com uma produção anual de 500 peças. Nos anos 90, a produção já atingia 1000 grampos por ano. A partir de 2004, sua meta seria atingir a marca dos 1500 grampos produzidos anualmente.
Ainda no âmbito das conquistas em escalada tradicional, entre 1988 e 1989, sob os olhares duvidosos de vários escaladores que não acreditavam no projeto, Chico Balter e “Zumbi” iniciaram a conquista do Paredão Dente de Sabre [(6° VIIa (VIIc/A0)]. Junto a vários escaladores e depois de muitas tentativas, finalmente conseguiram transpor, inteiramente em livre, o pequeno teto que caracteriza a via e concentra a parte mais atraente de toda a escalada. Mas foi somente em 1992 que Jamerson Costa e Rogério Matos finalizaram a via, cujos costões finais haviam sido abandonados.
Na mesma época, Eric Nyssens e Jeferson Costa conquistaram, no ano de 1989, o Paredão Universos Paralelos (7º VIIa), encerrando a década com chave de ouro. Eric, que tinha morado na Bélgica, havia acabado de chegar da Europa, quando deu início à conquista das primeiras vias de escalada esportiva na cidade. Na Europa, Eric percebeu que a tendência das vias de continuidade estava começando e acabou mostrando aos escaladores o potencial que existia em vários outros locais de Petrópolis.
Estes foram os fatos mais marcantes dos anos 80 e que colocaram o CEP no rumo da escalada moderna. A partir de então, alguns escaladores partiram para a escalada esportiva, outros para a criação de uma geração de big wallers, anos mais tarde.
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