História da Escalada em Petrópolis (10/14)

Foi somente a partir da segunda metade dos anos 90 que o capacete voltou a ganhar sua devida importância e projeção, tornando-se, novamente, equipamento de uso primordial. O mesmo aconteceu com as “cadeirinhas”, que inicialmente eram de formação integral, culminando com os tipos que conhecemos hoje – apenas de cintura – mas construídas com o centro gravitacional equilibrado aos resultados de uma queda potencial.

Na transição da primeira para a segunda metade dos anos 80, o CEP possuía poucos guias de montanha, como Jorge Vianna e Mário Penna da Rocha, que só guiavam caminhadas, e Fernando Funchal, Jeferson Costa e Renato Walter Mattos, que também guiavam escaladas. Havia poucos escaladores ativos, como Willian Walsh “Zaraba”, Fábio Macedo, Sobral, Luis Cláudio Fontenelle “Fon-Fon”, os irmãos Márcio “Buzina” e Otto Köptcke “Campainha”, que logo depois veio a falecer prematuramente, e Ricardo Liddizia, o “Tombinho”.

Ainda por volta de 1984, um “Curso de Adestramento em Escalada” no CEP teria sido o responsável por ingressar mais uma nova geração de montanhistas que daria continuidade às atividades do clube. Estes, em sua maioria, tornaram-se guias do CEP depois e continuam em plena atividade até hoje, sendo que alguns partiram para as caminhadas; outros, para as escaladas. Flávio Stock, Carlos Alexandre Soares, Francisco “Chico” Balter e os irmãos Marco Telles “Horácio” e André Telles “Zumbi” foram alguns destes novos montanhistas que se formavam. 

É interessante lembrar uma tradição criada no CEP, neste período, que perdurou por mais alguns anos: as escaladas “à fantasia”, que eram sempre a última escalada do ano, encerrando a temporada de montanhismo na cidade. Geralmente feitas em vias como o Paredão Ana Paula, as escaladas à fantasia eram, na realidade, uma grande confraternização, e podem ser bem lembradas até hoje por diversos escaladores.

Enquanto isso, a escalada de vias curtas continuava a crescer a passos largos em Petrópolis. Várias vias em blocos estavam sendo “batalhadas”, entre elas a Tigre de Bengala (VI, 1985) e a Gata Borralheira (VI, 1986).

Por volta de 1986, com o surgimento da ”NatiSnake”, a primeira bota de fabricação 100% nacional, foi observada uma elevação vertiginosa no nível de vários escaladores, porque, até então, ter uma boa bota de escalada, importada, era privilégio de poucos. A ”NatiSnake“ era conhecida por seu formato curioso, que possibilitava a sua utilização, indistintamente, em qualquer um dos pés. Gastava-se um lado e era possível trocar pelo outro, como no esquema de rodízio feito em pneus de automóveis. Apesar de ainda não oferecer a qualidade desejada, a “NatiSnake“ representou um grande avanço em comparação aos “Kichutes” e, principalmente, por facilitar aos escaladores o acesso a este tipo de equipamento, devido aos seus custos reduzidos e à distribuição pelo território nacional.

Ainda em 86, Luiz Cordeiro já fabricava mosquetões, alguns tipos de cliffhangers, grampos, punhos e talhadeiras. Cordeiro provavelmente foi o precursor, em todo o País, na fabricação nacional de ferragens para escalada. Chico Balter seria seu sucessor, tendo começado a fabricar grampos, por encomenda do CEP, entre o final de 1985 e o início de 1986. No ano seguinte, com a marca “Proalp”, Chico Balter produziria um lote de cerca de 300 mosquetões, que ainda podiam ser vistos, em uso, por grande parte dos escaladores petropolitanos até os primeiros anos da década de 90.

Nesta época, quem deu ênfase à conquista em Petrópolis foi Jeferson Costa que, levado ao CEP por “Tonico”, formou vários novos conquistadores, além de abrir, com estes, diversas vias pela cidade.

Em 1987, Alexandre Galvão e Otto Köptcke “Campainha” inauguravam, com a conquista da Fissura Puma (VIIa), um novo estilo de escalada em Petrópolis. Este estilo que surgia, em vias atléticas e geralmente negativas, mais tarde passou a ser denominado “escalada esportiva”. Mas foi somente a partir da década seguinte que a escalada esportiva teria seu desenvolvimento e seria encarada como uma modalidade a ser explorada por grande número de escaladores.

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