História da Escalada em Petrópolis (8/14)

Anos 80 – o desenvolvimento da “escalada limpa”, a máxima eliminação de pontos de apoio e o início da escalada esportiva

De 1980 a 1982, o processo de desenvolvimento iniciado no fim da década de 70 continuou a todo o vapor, com um número crescente de conquistas em Petrópolis – das quais as mais importantes foram os paredões Ovelha Negra (1980), Cão Pastor (1981) e Juliano Magalhães e a Chaminé Maitaca (1982). Em outros points, vias notáveis foram abertas pelos escaladores do CEP neste período, como a Face Sudoeste do Alto Mourão, em Niterói; Aquarius, na Pedra da Gávea e Pássaros de Fogo, no Pão de Açúcar, ambas na cidade do Rio de Janeiro; a arrojada Chaminé Macacu (1981), considerada a primeira Big Wall brasileira, com o uso exclusivo de nuts e apenas 1 piton, ao longo de seus 400 metros, na Pedra do Colégio, em Cachoeiras de Macacu. Além destas vias, foi “descoberta”, no Morro da Babilônia, também no Rio de Janeiro, a “Parede dos Ácidos”, berço da escalada esportiva no País.

Em 1980, diversas vias foram conquistadas. Houve, neste período, participação intensa de Cézar Vasconcellos, que conquistou, com André Ilha, duas vias importantes – o Paredão Ovelha Negra (4º Vsup), na Pedra do Pastor, e a Chaminé do Rolador. Neste mesmo ano, ambos conquistaram grande parte do Paredão Minotauro – que só veio a ser concluído em 85 – outra via grande, engajada, aos moldes da Face Norte do Mãe D’Água. Lauro Freire Junior também teve participação nesta conquista.

Embora a Chaminé do Rolador tenha sido conquistada em 1980, toda em proteções móveis, a primeira escalada mais exigente, em Petrópolis, com o uso deste tipo de equipamento, foi a Chaminé Maitaca, na Pedra Roxa, em 1982. Conquistada por André Ilha, Lúcia Duarte e José Luiz Lozada, a Chaminé Maitaca é feita inteiramente com proteção móvel, inclusive suas paradas, seguindo um óbvio sistema de chaminés. Outras vias inteiramente em móvel foram conquistadas no mesmo local, anos depois, como a Fissura Bedrock (7º VII), por Marcello Ramos; e, depois, a Fissura Metamorfose (5º VIsup), por Leonardo Álvares e Anelise Fraga.

A partir de 1981, no entanto, as constantes viagens deste grupo de jovens escaladores do Rio, que garantiu a Petrópolis o seu passaporte para a modernidade, passaram a ficar cada vez mais esparsas. Dada a distância da cidade em relação à capital, estes jovens começaram a se cansar de ir sempre a Petrópolis e passaram a freqüentar paulatinamente o Clube Excursionista Carioca – CEC, que foi aos poucos herdando grande parte deste grupo. Ainda assim, o CEC realizou diversas conquistas conjuntas neste período, mas no ano seguinte elas praticamente cessaram.

Entretanto, uma nova geração de escaladores locais, moderna e técnica, já havia sido formada em Petrópolis, passando a segurar a bandeira da escalada de alto nível na cidade. Este núcleo, que criou inúmeras vias de boa qualidade, contava com escaladores como César Delgado, Eric Nyssens – que chegou a ser considerado um dos melhores escaladores do País durante um tempo, Jeferson Costa, os irmãos Márcio “Buzina” e Otto Köptcke “Campainha”, Murilo Pércia, William Walsh “Zaraba”, dentre outros. André Ilha e Antonio Carlos Magalhães ainda mantiveram forte vínculo com o Clube, conquistando em seu nome diversas vias neste período.

A partir de maio de 1981, Tonico passou a residir em Petrópolis, fato digno de nota, pois foi impulsionador para que viesse, logo no ano seguinte, a tornar-se presidente do CEP e, com isto, contribuir ativamente para a manutenção do movimento excursionista no Clube, que havia perdido força com a evasão do grupo de escaladores cariocas para o CEC.

Em 1982, uma outra conquista veio a marcar época em Petrópolis: o Paredão Juliano Magalhães, por Antonio Carlos Magalhães e Eric Nyssens – este então com apenas 14 anos de idade.

Vale ressaltar que, no final de 1983, foi conquistado o primeiro lance acima de VI grau em aderência, em Petrópolis, por Antônio Carlos Magalhães, Jeferson Costa e Marcio Köptcke: o crux da Variante Jaguar (VIsup), no Morro da Formiga, e ainda com o uso de “kichutes”! É lenda em Petrópolis a história de que “Tonico”, até hoje um especialista em aderências, escalava os trechos iniciais da Var. Jaguar apenas de meia nos pés!

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