História da Escalada em Petrópolis (6/14)

Em 1977, um fato marcante veio a revolucionar o CEP, dando uma guinada na história do desenvolvimento do clube, e da escalada em Petrópolis, por conseqüência. Depois de um período de grande hostilidade no Centro Excursionista Brasileiro, diversos sócios do CEB se afastaram do clube, no decorrer de poucos meses. Escaladores então bastante jovens, como André Ilha (que já era sócio do CEP desde 74, quando morou em Petrópolis), André “Papel” Sant’Anna, Antonio Carlos “Tonico” Magalhães, Dario dos Santos, dentre outros, além de “novatos promissores”, como os irmãos Giovanni e Sérgio Tartari, ingressaram de uma só vez no Centro Excursionista Petropolitano. Foi feito um acordo informal com o seu então presidente, Mário Penna da Rocha, diante do qual o clube os acolheria, dando-lhes a base necessária para que pudessem operar com respeitabilidade, além de lhes fornecer subsídios para que pudessem se aprimorar, desenvolver a escalada em rocha na cidade e, acima de tudo, provar seus valores como escaladores de ponta que eram.

Este afastamento em bloco, como protesto por um lado, levaria o “estado da arte” ao CEP, por outro, modernizando o clube e trazendo-lhe as técnicas mais atuais e avançadas do esporte.

Nesta época, apesar de o CEP possuir ainda um certo nível de movimento, as técnicas de escalada predominantes não haviam acompanhado as tendências e eram ainda aquelas mesmas utilizadas no início dos anos 70, ou seja, técnicas bastante primitivas em comparação às que já se vinha praticando em outras partes do País. Já em 1977, este mesmo grupo começou a proporcionar as primeiras novas conquistas para o CEP – todas, porém, ainda fora de Petrópolis. Para o ano seguinte, já estava sendo projetado o primeiro curso de guias da história do clube. E, paralelo a isto, começaram a ser promovidas diversas mudanças no material técnico do CEP. Grampos inseguros, de tarugo e argolinha, foram substituídos por grampos de olhal quadrado e com diâmetros maiores; cordas do tipo “bacalhau” foram trocadas por cordas de perlon (as precursoras das atuais cordas dinâmicas), entre outros. Este grupo passou a freqüentar o CEP assiduamente, levando uma série de técnicas novas ao clube.

Entre 1977 e 78, foi realizado então o curso de guias, dentro destas novas bases do clube, reunindo não só este grupo de jovens entusiastas do Rio, mas também escaladores petropolitanos, como Aílton Lima e Wanderlei Stumpf. 

Sem dúvida, o principal acontecimento no CEP nesta época foi a realização, com sucesso, deste curso de guias, além de um curso de adestramento (como eram então chamados os cursos básicos de escalada) – o segundo da história do clube. A conseqüência imediata destes cursos foi o aumento vertiginoso do número de excursões e de participantes, e uma proveitosa discussão de técnicas de escalada, por parte de todos. Excursões com 15 pessoas, ou mesmo mais, tornaram-se freqüentes, e uma grande variedade na programação fez com que diversos locais e escaladas, até então desconhecidos por membros do clube, passassem a ser conhecidos e freqüentados.

Concluído este curso de guias, o CEP indicou três de seus melhores escaladores da época – André Ilha, Antonio Carlos Magalhães e Dario dos Santos, ao desafio de lançarem-se à candidatura do título de guia da extinta FMERJ – Federação de Montanhismo do Estado do Rio de Janeiro.

Mas, um outro fato, no mínimo curioso, aconteceu nesta ocasião. Primeiramente, alguns dos instrutores da FMERJ tentaram impedi-los a se candidatarem a guias da extinta Federação, com o argumento de que eram loucos e irresponsáveis. No entanto, uma outra parte da FMERJ apoiou a participação deste grupo nas provas de guia, afinal, o CEP, como membro filiado, tinha todo o direito a tal. Por fim, ficou combinado que estes três escaladores provariam, no decorrer das provas, se teriam condições de ganhar o título de guias, através da Federação.

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