Assim, a conquista do Paredão El Toro marcou o início de uma geração de escaladores com melhores equipamentos, mais avançados e aprimorados. Já não existia mais o conceito de se escalar apenas 5 metros e logo fixar um grampo por causa da cordada padronizada. Escalava-se até onde dava e, quando se achava que estava começando a ficar inseguro, colocava-se um grampo. O El Toro, à época de sua conquista e antes de sua regrampeação e reestilização no ano de 2000, já possuía um espaçamento entre os grampos bastante diferente daquele com o qual os escaladores já estavam habituados, nas escaladas mais antigas. Começava-se, aí, uma grande mudança no modo de se escalar, onde não se fazia mais o lance-a-lance, mas, passava-se a esticar quase que a totalidade da corda, quando não ela por completo, e então parar para “chamar” o parceiro.
Outro costume da época que aos poucos foi sendo mudado era o de se escalar a parte principal da parede, ou seja, a mais “atraente”, e depois não se preocupar com os costões finais – então menos interessantes. É claro, durante a conquista, atingia-se o cume uma única vez. O importante, sem dúvida, era chegar ao topo e colocar os pés lá em cima. Mas não havia a preocupação em fixar grampos ou preparar a escalada para futuras repetições até o cume. O próprio Paredão Giabra seria um exemplo disto. Existia, em seus costões finais, apenas um cabo-de-aço. Ora, era muito mais fácil fazer apenas um furo, fixar um único grampo e esticar um cabo, do que fazer vários furos para colocar vários grampos. O cabo, na realidade, funcionava mais como um apoio para facilitar as pessoas na saída da escalada, principalmente àqueles que fossem mais velhos ou não possuíssem a mesma agilidade que os outros tinham.
Foram necessárias várias investidas para concluir a conquista do El Toro, o que foi acontecer no fim de 1970. Durante a conquista, aprendeu-se e praticou-se muito das filosofias e técnicas da escalada emergente. Conquistar uma rota passou a ser não somente traçar uma linha e subir, mas chegar a um pedaço de pedra, começar a escalá-lo e, se no meio do caminho fosse encontrada alguma dificuldade que impedisse a progressão, tentava-se transpô-la caindo uma, duas, três vezes, antes de utilizar os meios artificiais. Naquela época começou a haver a preocupação em aplicar, na escalada, toda a técnica, maleabilidade do equipamento e trocas rápidas de mosquetão.
Começou a ser adotado o novo padrão de cordada, saindo dos 5 a 7 metros, presente somente no início da conquista do El Toro, mas abolido totalmente já na conquista do Giabra.
Concluída a conquista do Giabra, uma escalada inaugural foi realizada, com direito a festa com bolo e publicação em um jornal da cidade.
Pouco antes de Joãozinho e Jatobá se afastarem do CEP e pararem completamente de escalar, conheceram Fernando Funchal e Luiz Cordeiro, a quem a dupla “JJ” ministrou um curso de escalada.
Por volta de 1976, Joãozinho, Jatobá e Cordeiro chegaram a empregar, de forma inédita na cidade, a utilização dos primeiros nuts fabricados pelo Cordeiro. Aliás, é importante ressaltar que Cordeiro foi, com sua marca “Falésia”, em Petrópolis, o pioneiro na fabricação de equipamento para escalada. Sua iniciativa, por muitos anos, foi a responsável por garantir um melhor equipamento, que pôde ser empregado na maior parte das conquistas da cidade, até o início dos anos 90 – período em que ainda era comum se ver mosquetões “Falésia“, em pleno uso, assim como os mosquetões “Proalp”, fabricados na segunda metade dos anos 80, por Franscisco “Chico” Balter, utilizados por grande parte dos escaladores petropolitanos.
Depois que Jatobá deixou o CEP, por volta de 1978, Luiz Cordeiro e Fernando Funchal permaneceram no clube dando continuidade ao desenvolvimento da escalada na cidade.
A dupla Jatobá e Joãozinho deixou um legado de apenas duas vias concluídas, o El Toro e o Giabra que, por serem belíssimas e proporcionarem uma escalada de alto estilo, até hoje são bastante freqüentadas.
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