Anos 70 – o desenvolvimento da escalada tradicional e o surgimento da escalada “limpa”
No final dos anos 60 e início da década de 70, a escalada em Petrópolis ainda não era muito difundida, apesar de o CEP constantemente promover exposições de equipamento de escalada, de fotografias e realizar demonstrações de rappel em prédios, como chamariz para a conquista de novos adeptos. Havia poucos escaladores ativos na cidade, entre eles Paulo Lucio, Gilberto Amaro, Luiz Carlos Vogel e Roberto Brand. Do pequeno número de vias de escalada existentes no município, destacavam-se os paredões 15 de Maio, Kim-Kim, Vogel, Ana Paula e a Fissura Vera Regina. E a escalada em Petrópolis já não seguia o mesmo ritmo visto até por volta de 1968. Mas, logo na transição de uma década para a outra, a famosa dupla “JJ”, composta por Luis Cláudio Jatobá e João Ferreira Barbosa – o “Joãozinho”, viria para mudar esta realidade e realizar as conquistas tecnicamente mais difíceis e ousadas de até então. Surgia no CEP, mais uma vez, uma geração de escaladores, composta apenas por duas pessoas, que logo se lançariam às primeiras conquistas, representando um verdadeiro “divisor de águas” no desenvolvimento da escalada na cidade.
Naquela ocasião, os blocos do Morro Meu Castelo eram muitíssimo freqüentados – local onde o CEP realizou suas primeiras conquistas, em vias curtas de no máximo 15 m de extensão. Eram os chamados “exercícios”, reconhecidos por números, como o “Exercício nº 1”, o “nº 2” e assim por diante.
O Centro Excursionista Petropolitano, neste período, reunia mais montanhistas caminhantes do que escaladores propriamente. E, em função disto, mesmo ainda freqüentando o clube, Joãozinho e Jatobá logo abandonaram o compromisso de guiar pelo CEP e foram se dedicar às escaladas e conquistas. Em poucos meses, apenas a dupla “JJ” estaria atuante em Petrópolis, em termos de escalada em rocha.
A filosofia de se conquistar, naquele tempo, ainda era bastante diferente da de hoje, até mesmo pelas próprias deficiências de acesso ao material técnico. Existia, como atualmente, o processo de “leitura” da rota, estudando-se, de baixo, por onde se iria passar, fazendo uso do máximo de recursos naturais que a própria rocha oferecia, como vegetação, platôs e grandes fendas.
A grampeação seguia um padrão, cuja distância entre os grampos variava entre 5 a 7 m. Este, aliás, era o mesmo tamanho da cordada, ou seja, o espaço de corda que separava um escalador do outro.
Na ocasião, bastava ir até o ferreiro e pedir que cortasse bengalas de caminhão para fabricar os punhos; qualquer pedaço de ferro era um grampo em potencial; fazia-se o contra-pino (para tirar a broca de dentro do punho quando quebrasse – o que era bastante comum) e partia-se para a pedra. À medida que se batia a talhadeira contra a rocha, a broca entrava cada vez mais no punho. Quando não quebrava ali dentro, não saía mais porque passava do buraco onde se inseria o contra-pino que fazia com que a broca fosse ejetada. Diante de toda essa dificuldade, os grampos enormes, tanto em espessura quanto em comprimento, foram sendo paulatinamente substituídos por grampos mais finos e curtos. Os grampos intermediários e de progressão ou “ataque”, que até então eram sempre de 1/2″, passaram a ser trocados por grampos de 3/8″ e 5/16″.
Para se posicionar na parede vertical e fixar grampos, o conquistador podia subir encima de um gravatá, ou no grampo imediatamente abaixo, u, ainda, apoiar-se com cordinhas e fitas em bicos de pedra e pequenos arbustos, para bater rapidamente um grampo de 5/16″ x 1,5 cm e, assim, ganhar altura.
As brocas eram sempre improvisadas e, por vezes, diferentes do próprio diâmetro do grampo. A conjunção espessura do grampo versus espessura da broca ficava sempre na base da tentativa. Aos poucos é que foram aparecendo as primeiras brocas de boa qualidade. As macetas começaram a serem substituídas pelas marretas e, depois, pelos martelos com ponta.
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