História da Escalada em Petrópolis (2/14)

Anos 60 – a concepção das primeiras vias de escalada em rocha na cidade

No início dos anos 60, completava-se a formação de um grupo que começava a implantar no CEP a “cultura” de que as montanhas estavam lá para serem escaladas. Cleverson Cabral, Jesus Carlos Coutinho Bárcia, Lúcio Vasconcellos de Oliveira, Márcio Eiras Moraes e Paulo Rocha Soares de Rezende foram, se é que podemos chamá-los assim, os “pais” da escalada em rocha em Petrópolis. Escalando com montanhistas de clubes do Rio de Janeiro, os integrantes desta primeira fase trouxeram novas técnicas e passaram a servir de modelo para os associados do CEP.

Em 21 de abril de 1960, Jesus Carlos Coutinho Bárcia e Álvaro Fernando Varanda conquistavam o Paredão D. Pedro II, no Pico do Cobiçado – a primeira conquista em parede em Petrópolis dentro da concepção de que a escalada não necessariamente deveria existir somente por ser o único acesso para o cume de uma montanha.

Um ano depois, em abril de 1961, Petrópolis concebia mais uma via de escalada. Jayme Quartin Pinto Netto, Virgínio Cordeiro de Mello Junior e Klaus Weber, após algumas investidas, conquistaram a Chaminé Petrópolis, no Morro da Formiga – local que viria a se tornar um dos mais explorados pelos escaladores locais, desde então.

Em uma segunda fase, Petrópolis formava outra “leva” de escaladores, estes ainda mais atuantes, como Endre de Gyalokay, Pedro Eros Kotzeck, Paulo Lucio da Cruz Loureiro e Luiz Carlos Vogel, com destaque para estes dois últimos que foram, certamente, os mais ativos do grupo. Já havia a concepção clara de que a escalada não existia simplesmente para se conquistar cumes virgens, onde outro acesso mais fácil, por caminhada, seria impossível. Mas, pensavam eles, as montanhas poderiam também ser galgadas de uma forma diferente, geralmente pelas faces mais difíceis, ou seja, pelas paredes. Este grupo aumentou muito o nível da escalada na cidade.

Vale ressaltar que ajudou bastante para a formação destes escaladores a orientação de Jesus Carlos Coutinho Bárcia, do Corpo de Guias do Centro Excursionista Rio de Janeiro – CERJ – e do Presidente do então Centro Excursionista Serra dos Órgãos – CESO, Ladislau de Souza Carreiro, o “Lalau”.

Fechando a década de 60, numa terceira fase, além de Endre de Gyalokay, Luiz Carlos Vogel, Paulo Lucio da Cruz Loureiro, também vieram a contribuir Eduardo Moreira Gomes, Gilberto Aloísio Amaro, Nelson Trindade Costa e Roberto Reis Brand.

Neste curto espaço de apenas dois anos, evoluiu-se muito tecnicamente, talvez mais do que a escalada em rocha havia crescido desde a fundação do CEP, dez anos já passados. Destacou-se a conquista de vias como o Paredão Kim-Kim (1969), na Cabeça de Cavalo e a do incrível Teto Penna da Rocha (1969) no Morro do Samambaia – à época considerado o maior do País.

A conquista do Paredão Vogel (1969), também no Morro da Formiga, e do Paredão Ana Paula (1970), no Morro do Samambaia, por serem escaladas que exigiam pouca técnica e possuírem acesso fácil e rápido, foram muito importantes na formação de escaladores em Petrópolis, proporcionando a diversos grupos, inclusive com familiares, um batismo e uma iniciação na parte mais esportiva do montanhismo.

Por fim, e se podemos eleger um feito que tenha representado a década, este foi, sem dúvida, a conquista do Paredão 15 de Maio (1968), na Pedra do Cortiço. Foram vários anos de muitas investidas para se vencer, aproximadamente, os 500 metros da parede principal da montanha, dos quais ainda restam até hoje, por ironia do destino, cerca de 15 metros para se atingir o cume! Nesta conquista foi empregado um grande trabalho de equipe, contando com a participação de diversos escaladores da época.

Durante décadas, o 15 de Maio alimentou medos e mitos entre os escaladores. Atualmente, a via aguarda um trabalho de restauração e reestilização, com a substituição de alguns cabos-de-aço, eliminação de grampos em fendas – desnecessários aos padrões atuais, e eliminação de artificiais fixos, perfeitamente factíveis em livre, hoje em dia, em função das modernas técnicas de escalada e dos solados superaderentes.

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