História de Petrópolis (10/10)

6.0 OS VALORES PETROPOLITANOS

A partir de 1960 a cidade não conseguiu os grandes investimentos que necessitava para se modernizar e poder enfrentar a concorrência comercial e industrial, cada vez maior. Houve então a grande mudança de rumo na vida do petropolitano e da sua cidade, que se voltou cada vez mais, para a sua tradição histórica e para a urbanização e arquitetura que ficaram de seu passado.  E para a beleza e preservação da sua natureza.  A cada dia, novas mansões e palácios abriam suas portas para visitação.  A Prefeitura de Petrópolis planejou e organizou o setor de turismo e cultura e uma extensa rede de facilidades foi sendo oferecida ao turista como informações, eventos, pousadas e hotéis, restaurantes e outras atrações cheias de requinte e particularidades, capazes de atrair o interesse do visitante.

Esse patrimônio esteve em parte, seriamente ameaçado por incorporadores e construtores mais gananciosos do que desavisados.  Mas, em 1979, um grupo de petropolitanos animados, corajosos e vibrantes com sua cidade se movimentou em torno de entidades preservacionistas como a APANDE e sensibilizou o presidente João Figueiredo, conseguindo que fosse assinado o Decreto 80, em 1981, impedindo demolições e construções que descaracterizavam o Centro Histórico.  E ele atribuiu à cidade o título de CIDADE IMPERIAL.  Com apenas cinco artigos no seu decreto, Figueiredo salvou o que restou da Petrópolis imperial.  Nos anos seguintes, em conjunto com os moradores, a Câmara Municipal promulgou um bem elaborado código de posturas municipais que garantiu as tradições e os valores da cidade. 

Tanto no Império como na República, Petrópolis se desenvolveu, sempre estimulado pela presença de pessoas ilustres que amaram a cidade e aqui passaram boa parte de suas vidas.  Muitos deles estão sepultados em Petrópolis e foram incorporados ao patrimônio cultural de nossa cidade. Especialmente a sua rica tradição ligada à Família Imperial brasileira, em particular a figura de D. Pedro II, passou a ser um valor significativo para a cidade e um forte apelo para turismo cultural de maior grandeza.

A educação também é um expressivo valor petropolitano.  Os alunos do nosso ensino fundamental público e privado, sempre se destacaram nas avaliações oficiais, assim como na vida profissional, os estudantes do ensino superior representado pela Universidade Católica de Petrópolis e Faculdade de Medicina de Petrópolis.

Para que esses valores histórico-culturais possam se transformar em riqueza para a cidade, estão sendo feitos grandes esforços pela iniciativa privada e pelo poder público, com ações diretas como investimentos na educação do povo, na divulgação e principalmente, na transformação da consciência dos que vivem em Petrópolis para que se sensibilizem com esses valores e recebam com toda atenção aqueles que vierem nos visitar.

Entre as sete cidades imperiais das Américas, Petrópolis é a que tem mais direito de usar esse honroso título.  As outras cidades imperiais, Ciudad Imperial, no sul do Chile e a Vila Imperial de Potosi, na Bolívia, que foram as primeiras e receberam seus títulos concedidos por Carlos V. Dom Pedro I deu o título de Imperial à Cidade a São Paulo, à Vila Rica, Ouro Preto e a Montivideo, querendo consolidar a presença militar brasileira na Banda Oriental do Rio da Prata em 1825. Os regentes de 1831 chamaram uma pequena vila de Goiás de Vila do Porto Imperial.  Finalmente Dom Pedro II preferiu denominar nossa vizinha como Imperial Cidade de Niterói em 1841. Todas essas concessões foram rigorosamente legais, concedidas por decretos oficiais.  Petrópolis, porém, entre todas essas, é a que mais tem o direito de ostentar o título de Cidade Imperial apesar de não ter recebido esse galardão de um imperador. Nossa cidade nasceu sob o patrocínio e com a proteção de Dom Pedro II, em terras da Família Imperial. Até a sua morte nosso Imperador nunca se desligou de sua cidade. Petrópolis é cidade imperial oficiosa, mas com todo o direito e o orgulho desse título de nobreza.

BIBLIOGRAFIA

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MONTEIRO Ruy.  A República em Petrópolis, Política e Eleições Municipais, 1916-1996.  Petrópolis: Ed. Gráfica Serrana, 1997.

Fonte: site da Fundação de Cultura e Turismo Petrópolis

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