História de Petrópolis (8/10)

Sem perder suas características de veraneio, a cidade se modernizava, acompanhando a tendência geral da segunda metade dos anos 1800.  Alguns sinais dessa modernidade são descritos a seguir.

·      O renomado ensino de respeitados colégios como o Kopke, o Calógeras, o de Frederico Stroele, o NS de Sion, o Santa Isabel e as escolas de educadoras francesas, como as de Mme Dienes, Mme Taulois e Mme Geslin.

·      A construção do Hospital Santa Teresa, inaugurado em 1876, com participação ativa de Dom Pedro II.

·      Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá, criou a estrada de ferro e a linha de barcos a vapor, que ligava Petrópolis ao Rio de Janeiro. Essa viagem começava no Cais dos Mineiros do Rio e ia até o Porto de Mauá, no fundo da Baía da Guanabara, em pequenos vapores muito confortáveis, com orquestra e sala de refeições; do Porto de Mauá até Raiz da Serra usava-se a primeira estrada de ferro do Brasil, em 1854, e daí, em diligências até Petrópolis pela Estrada Normal da Estrela. Em 1883, foi inaugurada a Estrada de Ferro do Príncipe Grão-Pará, vencendo a Serra da Estrela em cremalheira, notável obra de engenharia na época, que substituía as diligências serra acima.

·      Hotéis para veranistas e visitantes ilustres foram inaugurados.  O Hotel Bragança, que funcionou por quase 80 anos e foi derrubado para a abertura da rua Alencar Lima tinha noventa e dois quartos, salões de festas, de bailes e um teatro.  Mas havia outros, como o Hotel Suíço, o João Meyer, ponto de reunião de colonos, o Hotel Europa, que hospedou o Imperador Maximiliano do México, em 1848 e o Orleans, onde hoje funciona a Universidade Católica de Petrópolis, na Rua Barão do Amazonas.

·      A indústria de tecidos encontrou fatores favoráveis na cidade como o clima úmido, a energia hidráulica e a mão-de-obra qualificada.  A Imperial Fábrica de São Pedro de Alcântara, a Companhia Petropolitana, a Aurora, a Werner, a Santa Helena, a Da. Isabel e a Cometa faziam de Petrópolis o mais importante pólo têxtil do país.

·      Construção de modernas estradas de rodagem que facilitavam o acesso à cidade. Entre elas, a Estrada para Paty do Alferes, a atualíssima Estrada Normal da Estrela que vinha do Porto da Estrela até Petrópolis (1843) e a União e Indústria que ia de Petrópolis para Juiz de Fora (1856). 

Assim, com sua animada vida social, Petrópolis competia com o Rio de Janeiro durante todo um semestre por ano, levando a grande vantagem de oferecer um clima ameno aos seus visitantes.  Em conseqüência, a cidade ostentava um grande número de primeiros lugares no Brasil, como a Estrada Normal da Estrela, a primeira estrada de rodagem de montanha, a União e Indústria, a primeira estrada macadamizada, a primeira cidade totalmente planejada antes de ser iniciada a sua construção e o primeiro trem a subir uma montanha.

5.0 PETRÓPOLIS NA REPÚBLICA

Com a Proclamação da República em 1889 que resultou no banimento e o exílio da Família Imperial, temia-se que a cidade fosse ameaçada por retaliações republicanas e perdesse o seu prestígio.  Mas isso não aconteceu.  As funções administrativas passaram a ser exercidas por intendentes nomeados pelo governador do estado até 1892, quando Petrópolis passou a ser governada pela sua Câmara, situação que perdurou até 1916, quando foi criada a Prefeitura Municipal, tendo Oswaldo Cruz como seu primeiro prefeito, nomeado por Nilo Peçanha.(11, p.34)  Internamente, tentando se alinhar com as novas idéias e apagar as lembranças da Monarquia, os políticos começaram a mudar os nomes das ruas, substituindo os antigos nomes imperiais pelos seus novos valores:

        Rua do Imperador…….Av. 15 de novembro
        Rua da Imperatriz…….Av. 7 de setembro
        Rua Princesa Isabel…..Rua 13 de maio
        Rua de Bourbon…………Rua João Pessoa, depois Nelson de Sá Earp
        Rua de Joinville…………Rua Ipiranga
        Rua da Francisca………Rua Gen. Osório

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